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Goiânia : Domingo, 20 de Maio de 2012
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Bullying requer solução pacífica

Bullying requer solução pacífica

Extraído na Integra da coluna Opiniões do Jornal Opopular

O bullying está em debate. Todos os dias vemos notícias de vítimas dessa prática cruel, que se rebelam contra seus agressores. Mas que neste ato de colocar um basta ao sofrimento acumulado, muitas vezes durante anos ou uma vida inteira, se tornam piores do que seus até então algozes.

Não se mata por ser vítima de bullying. Não se compensa ou revida agressão com agressão. É preciso ter cuidado e é preciso cuidar. Cuidar, orientar e ensinar.

Muitos pais, também revoltados com a agressão a que seus filhos são submetidos, estimulam e incentivam uma cultura de guerra. Se bater, apanha. E até cobram de seus filhos, que não apresentam o reflexo imediato da agressão, que o façam. Não querem vê-los subjugados ao poder de outras crianças, mas subjugam e obrigam a desenvolver um comportamento agressivo que pode, futuramente, custar-lhe caro, se não a vida.

As agressões hoje praticadas, conforme divulgado, são por demais cruéis. Mas quem, em outros tempos, não foi vítima de bullying, quando esse nome estrangeiro sequer era cogitado entre nós? Acredito que poucos.

Apelidos pejorativos, brincadeiras de mau gosto, agressões físicas, danos a pertences, quase sempre na escola, ocorriam a nossa volta, com conhecidos e desconhecidos e conosco. Nem todos se transformaram em assassinos. E não poderia ser diferente. Não deve ser diferente.

Ontem e hoje, se é vítima de bullying, discriminação e preconceito por se ser alto demais, baixo demais, magro demais, gordo demais, inteligente demais e por aí segue. Enfim, por não sermos lindos e perfeitos aos olhos do outro. Por sermos diferentes de quem nos julga.

A agressão sofrida não pode e não deve justificar outro ato violento. Devemos sim mostrar a nossos filhos que eles não devem se submeter a essas agressões, mas também que se deve fazer a opção pela solução pacífica, evitando a perpetuação de um comportamento que provoca danos, em alguns casos, irreparáveis, e que nos leva à confirmação de um ciclo de violência, sem perspectiva de fim.

Ao ser agredido na escola, não agrida. Procure a professora, a coordenadora, a direção, conte para o pai e a mãe, e que estes, adultos e responsáveis que são, façam a opção pela paz e pela saída pacífica. Que mostre ao outro a extensão do dano que está causando, que proponha ajuda, que busque auxílio profissional, se for o caso. Mas, sobretudo, que não se iguale, que não seja ele um novo adepto desta prática que, como sabemos, traz tanto sofrimento.

O bullying é inaceitável, mas ser vítima dessa agressão não pode justificar tudo, não pode custar uma vida.

 Carla de Oliveira é jornalista

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