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Goiânia : Segunda-feira, 27 de Maio de 2019
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Limite

Limite

 

Podemos resumir nosso momento como transição entre a disciplina do medo e o medo da disciplina. Talvez seja porque já saibamos das consequências desses dois extremos.

            Estamos vivendo tempos de crise. Não estamos falando especificamente de crise financeira ou de crise política. Estamos falando, principalmente, de crise de verdades e de valores. O que sempre foi considerado certo, de repente nos deixa em dúvida. Atitudes que sempre foram recomendadas para certas situações com nossos filhos, hoje nos deixam inseguros, pois não estamos convictos de seus efeitos. Somos uma geração de educadores marcada pela dúvida e pela culpa. Dúvida sobre o que fazer e culpa por colocar limites.

            Diante desse quadro, ficamos sem saber quais são nossos limites enquanto pais. Até que ponto podemos e devemos agir. É claro que não existe fórmulas prontas, mas é possível apontar alguns referenciais que devem nos orientar para que não nos percamos nesse mar de dúvidas. Incentivar a autossuperação é o primeiro deles. Para que isso seja possível, precisamos substituir a censura frequente pelo apoio e criar um clima para uma conversa aberta que favoreça o autoconhecimento e a superação das dificuldades através da potencialização das forças e do controle das fragilidades.

            Nesse contexto, explorar as situações de autodesafio ajudando-os a controlar os impulsos e fortalecer a persistência é fundamental. Outro referencial importante que deve nortear as ações dos pais é a necessidade de que os filhos aprendam a adiar o prazer num mundo que convida o tempo todo à satisfação desenfreada do desejo. Nessa seara, os pais precisam estar atentos a todas as situações em que o prazer possa ser adiado e implementar regras que ajudem os filhos a descobrirem que o adiantamento do prazer é possível.

            O terceiro referencial diz respeito ao desenvolvimento de habilidades essenciais à sobrevivência num futuro quase presente. Dentre essas habilidades, descantam-se a seletividade, a flexibilidade, a coletividade, a serenidade e a resiliência. As atividades cotidianas devem ser permeadas por acordos e regras que facilitem o desenvolvimento das habilidades citadas. Levar os filhos a fazerem escolhas, a analisarem outros pontos de vista, a reconhecerem o que é o bom para todos e não somente para elas, a resolverem conflitos com tranquilidade e a aprender a partir de situações difíceis, são ações que precisam fundamentar algumas regras.

            O quarto referencial diz respeito à educação da vontade. Está mais do que provado que o que nos move não é a inteligência, mas sim a vontade. Uma pessoa muito inteligente, mas fraca na administração de sua vontade não sai do lugar. Por outro lado, alguém de inteligência média, mas com alto potencial de domínio de sua própria vontade, atinge seus objetivos com relativa facilidade.

            Vivemos hoje em uma sociedade com baixíssimo índice de maturidade emocional e com elevado índice de carência afetiva. Com certeza, isso já é resultante de uma educação em tempos de crise. Com uma sociedade assim, passa a ser frequente o pavor de não ser amado e surge a dificuldade de se olhar os filhos com olhos de educador, ou seja, com os olhos de quem já superou todos os conflitos típicos dessas fases do desenvolvimento humano.

            Aliado a tudo isso, a crise de valores que assola nosso mundo de transição nos impede de ter certeza quanto à atitude certa a tomar. Somos reféns da dúvida, da culpa e do sofrimento que ambas acarretam. Nossos filhos já perceberam isso e armam-se de “certezas circunstanciais” para atingir nossa já frágil convicção de educar. Lançam ataques cruéis para a nossa geração de adultos portadores de uma consciência confusa e culpada que, muitas vezes nos aniquilam e nos impedem de dizer com carinho, tranquilidade e firmeza um sonoro e necessário “NÃO”. E, na maioria das vezes, é isso que nossos filhos necessitam e, bem lá no fundo, até desejam.                                                                                                            

Por: Júlio Furtado

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