Texto extraído da coluna Opiniões do Jornal O popular.
Célia Maria F. da S. Teixeira
O novo tempo é marcado pela revolução tecnológica, mas os avanços nesta área nem sempre aprimoram as relações interpessoais. Por vezes, distancia as pessoas, rouba-lhes a oportunidade de relacionamentos mais verdadeiros. O momento atual é marcado por individualismo e imediatismo.
Já se criou até uma tipologia do amor, entre tantas teorias sobre o tema. Todas numa mesma direção, falando de proximidade física, compromisso e paixão.
Na sociedade contemporânea o homem se vê conduzido a pensar na experiência do amor como resultado de uma habilidade, que talvez possa ser adquirida e melhorada com a prática. Passa então a pensar que, em poucos anos possa tornar cada experiência mais interessante, envolvente, do que a vivida anteriormente, resultando assim no aprimoramento dessa habilidade.
Mas, de todas as explicações sobre o amor, existe uma que parece ser universal. Trata-se da mais tenra experiência, que nos ensinou a primeira lição de amor, quando ainda não sabíamos quem éramos. A experiência de amor vivida com a mãe.
Não seria preciso um Dia das Mães para se reconhecer o valor da mãe na vida de uma pessoa. A mãe ama seu filho todos os dias, sem limites, sem impor condições, apenas movida pelo desejo de vê-lo bem. Não cabe o julgamento da mãe que maltrata o filho. Isso seria em decorrência da carência de amor, de uma patologia psíquica ou por que não aprendeu a dar amor?
Sofremos quando imaginamos, como frágeis crianças, que nossa mãe não era só nossa. Ela se dividia em papéis, se afastava e não oferecia o que precisávamos. Como seres incompletos choramos a dor da separação, como se fosse uma morte real. Desconhecíamos que uma boa mãe é aquela que frustra quando é preciso, que se distancia quando isso é condição para o crescimento.
Até os conflitos da fase da adolescência, agora seriam esquecidos ou compreendidos. A estreita ligação mãe-filho não desaparecerá, mesmo com a falta dessa figura, nem com o passar dos tempos.
As lições do passado nos garantem bases referenciais para inúmeras experiências com a qual nos defrontamos a cada momento.
Mesmo uma mãe ausente encontra-se presente em nossos gestos, na repetição de padrões, nas crenças que, percebendo ou não, transmitimos a nossas filhas, também mães ou futuras mães. E o legado maior, sem dúvida, será simplesmente amar.
Célia Maria Ferreira da Silva Teixeira é psicoterapeuta do Projeto Inter-vir suporte em perdas - celiaferreia@cultura.com.br