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Goiânia : Quinta-feira, 19 de Julho de 2018
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Valores!!!

Valores!!!

Não deixe nunca 

Seu filho sozinho,

Sem proteção.

Castigos não fazem

Ninguém mais bonzinho,

Não fazem, não.

Não levante a voz

Não bata, não xingue

     Nem dê beliscão.

     Não trate seus filhos como bem entender

     Gritos não vão resolver

     Criança que apanha

     Não aprende a lição

     Com jeito ela vai aprender.

Toquinho, “Castigo não”

 

 

     Valores são investimentos afetivos. Essa é uma das significações que mais aprecio para definir valores, proposta pelo suíço Jean Piaget. Tal definição revela que o seu aprendizado não está apoiado somente em conceitos, mas, sobretudo, em emoções, tanto positivas quanto negativas. A dimensão intelectual nos habilita para o saber fazer, porém é a afetiva que desperta o querer fazer. Mais do que conhecer, divulgar, proclamar, discursar sobre os nobres valores, é fundamental praticá-los no dia a dia.

     Educar para valores significa transmitir para os filhos ideias que realmente consideramos valiosas. É convidá-los a acreditar, por exemplo, que vale a pena parar para ouvir quando uma pessoa está falando; ou que o próximo deve ser respeitado; ou que reciclar o lixo é uma atitude que pode salvar o planeta; ou ainda, que cada um de nós é responsável pelos próprios atos. A eloquência de quem educa para valores está condicionada à coerência entre o que se diz e o que se prática efetivamente. Não há valor que se sustente sem bons exemplos, sem bons modelos.

     Todos os segmentos da sociedade educam para valores, mas, considerando a real importância que a dimensão afetiva exerce na educação para valores, a família é o principal segmento na definição dos valores para o filho. Ou seja, o conceito que ele adquire sobre o certo e o errado, sobre o bem e o mal, sobre o que é justo e o que é injusto, é definido pela família e reforçado pela escola, por força dos vínculos de afeto, de admiração e de confiança construídos.

     Apesar de a família e a escola estarem juntas nessa empreitada, suas influências exercem pesos diferentes. A família vem em primeiro lugar, pois os laços afetivos entre pais e filhos são muito fortes. A casa é o primeiro ambiente moral do filho (primeiro contato com regras, limites, valores) e, portanto, desempenha importante influência na sua formação. O papel da escola é fundamental, mas não pode ser substituído nem comparado ao da família.

     Na escola os jovens entram em contato com regras bastante diferentes das do ambiente familiar, pois precisam aprender a conviver com o grupo e necessitam, portanto, se adequar a um conjunto de regras bem diferentes das que encontram em casa. Ou seja, a escola apresenta outras experiências de convívio além daquelas existentes no ambiente familiar. Quando, em casa, eu deixo o meu quarto bagunçado, o problema é meu; mas se deixo uma sala de aula bagunçada, o problema não é só meu.

     Desde cedo nossos filhos aprendem o valor das regras de convivência quando experimentam a participação em ambientes coletivos. Isso significa que o aprendizado de valores também ensina sobre regras, limites e convívio social. Afinal, ninguém vive sozinho e, a partir do momento em que o outro também quer ser feliz, o convívio social depende, também, de normas e limites para que o direito de todos seja respeitado.

     Além das regras de convivência a que as crianças e jovens têm acesso quando participam de ambientes coletivos, eles também aprendem sobre as sanções decorrentes da quebra do vínculo de solidariedade.

     A educação para valores reconhece o valor das regras e das sanções como elementos que contribuem para melhorar e fortalecer o respeito mútuo e a percepção de que todos são sujeitos de direitos.

     Seja no ambiente familiar, seja no escolar, valores, regras, limites se aprendem e não são, portanto, adquiridos espontaneamente. Os valores aprendidos na escola devem complementar a educação familiar. Quanto maior for o alinhamento e a sintonia entre família e escola, mais claros se tornarão, para a criança e o jovem, as regras e os agentes responsáveis para que as regras de boa convivência sejam incorporadas como valores. Deve estar claro, por exemplo, que na escola o professor é a autoridade; em casa, são os pais.

     Esses códigos de conduta só ficam nítidos para os jovens no momento em que pais e professores também percebem isso e passam a respeitar esses limites. Fica confuso para a cabeça da criança ou do jovem quando, por exemplo, a escola aplica determinada medida restritiva por alguma regra que deixou de ser cumprida, e os pais, mesmo desconhecendo o fato em sua totalidade, desconsideram e até condenam a ação da escola numa atitude de apoio incondicional ao filho.

     Pais e escola precisam estar unidos pelo mesmo propósito para que encontrem o melhor caminho. O enfraquecimento do vínculo de confiança entre família e escola compromete o comportamento dos filhos, que ficam sem referências para definir seus limites para a boa convivência com o grupo.

     Educar em valores requer diálogo. E para que os diálogos sejam produtivos, professores e alunos, pais e filhos, família e escola precisam estabelecer vínculos de confiança, de respeito, de afetividade e construir ideais e conceitos compartilhados, com base em princípios que considerem o bem comum, superando o individualismo, o egoísmo ou o desejo de levar vantagem sobre o outro, ou de querer ser melhor que o outro. O propósito maior é se tornar uma pessoa melhor, capaz de despertar o que há de melhor no outro.

 

(Texto extraído e adaptado do livro – Como Educar bons valores – Maria Helena Marques)

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